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Vale anunciou no início da noite
de ontem que investirá US$ 305
milhões em seu projeto para a
produção de biodiesel
a partir da palma. Desse total, segundo
a
companhia, US$ 40 milhões serão
desembolsados ainda em 2009. O anúncio
estava programado inicialmente para
hoje.
O projeto será desenvolvido com
a Biopalma, empresa criada em 2007 e
ligada ao Grupo MSP, que tem negócios
principalmente na área de mineração.
Embora tenha sido anunciado oficialmente
ontem, o contrato entre a Vale e a Biopalma
foi assinado no dia 30 de abril. O Consórcio
Brasileiro de Produção
de Óleo de Palma (CBOP), como
o projeto foi formalmente batizado,
terá 59% de seu controle nas
mãos da Biopalma e 41% nas da
Vale.
Ainda segundo o comunicado, a produção
de biodiesel a partir do óleo
de palma deverá começar
em 2014. A capacidade da unidade será
de produção de 500 mil
toneladas de óleo de palma e
de 160 mil toneladas de biodiesel por
ano. A Vale pretende, com o projeto,
abastecer sua frota de locomotivas da
Estrada de Ferro Carajás e máquinas
e equipamentos de grande porte das minas
de Carajás, no Pará. A
mistura a ser utilizada no maquinário
será na proporção
de 20% de biodiesel e 80% de diesel
mineral. No parecer sobre o projeto
da Secretaria de Direito Econômico
(SDE), ligada ao Ministério da
Justiça, Vale e Biopalma informam
que a divisão da produção
de óleos ou outros produtos ocorrerá
na proporção que cada
uma tem no projeto.
O plantio de palma pela Biopalma já
ocorreu em pelo menos 5 mil hectares
no município de Moju (PA), em
trabalho iniciado antes da assinatura
do contrato com a Vale, conforme apurou
o Valor. Segundo informações
fornecidas pela Biopalma ao Banco da
Amazônia, o plantio de palma ocupará
40 mil hectares.
O projeto paraense marcará a
estreia da Vale e da Biopalma no mercado
de óleos vegetais. Em 2008, logo
depois de formalizar sua criação,
a Biopalma foi acusada de forçar
pequenos agricultores a venderem seus
lotes, inclusive os de áreas
quilombolas em processo de reconhecimento,
de acordo com relatório da organização
não-governamental Repórter
Brasil.
No estudo, de setembro, a ONG cita Antonina
Borges, presidente da Associação
dos Quilombolas de Nova Esperança
de Concórdia (Aquinac), que relata
o modus operandi das vendas de áreas
para o projeto. "Começaram
a aparecer intermediários comprando
terras para a empresa. O preço
oferecido pelos lotes girava em torno
dos R$ 30 mil, e o discurso usado era
que aqueles que não tinham títulos
de posse seriam despejados pela Justiça.
Com medo, muitos venderam", disse
ela, segundo o relatório. O Valor
não conseguiu contato com o escritório
da Biopalma em Belém. A Vale
não respondeu os pedidos de entrevista,
feitos antes da divulgação
de seu comunicado.
Patrick Cruz, de São Paulo
24/06/2009
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