| Num
dia volátil em que a bolsa ficou
longe de mostrar alguma tendência,
as ações de siderurgia
foram o grande destaque entre as maiores
altas do dia. Entre as dez maiores valorizações
do Índice Bovespa, cinco são
de siderúrgicas. As ordinárias
(ON, com voto) da Usiminas subiram 5,29%,
as preferenciais (PN, sem voto) da Gerdau
Metalúrgica tiveram alta de 3,97%
e as PN da Gerdau, de 3,88%. Já
as ON da CSN se valorizaram 2,64% e
as PN série A da Usiminas, 2,11%.
O Ibovespa subiu 0,64%, fechando aos
49.813 pontos. Alguns motivos provocaram
esse aumento da procura por papéis
do setor. De qualquer forma, os analistas
acreditam que a situação
das siderúrgicas ainda preocupa
e pode ser precipitado fazer uma aposta
certeira na recuperação
desses ativos no curto prazo.
Um dos motivos da valorização
de ontem foi a alta dos preços
do aço no mercado fornos. Para
engrossar o número de empresas
tomando tal iniciativa, ontem, no fim
da tarde, a ArcelorMittal, maior siderúrgica
do mundo, anunciou que está retomando
mundialmente parte de sua capacidade
de produção que estava
paralisada. O próprio presidente
da empresa, Lakshmi Mittal, afirmou
que há um aumento de demanda
em países como Brasil, China
e até nos Estados Unidos.
Outras companhias já tinham anunciado
que fariam o mesmo. A Gerdau, por exemplo,
afirmou que deve ligar novamente em
julho seu principal alto-forno, com
capacidade para produzir 3 milhões
de toneladas por ano. Em contrapartida,
vai paralisar o alto-forno que produz
até 1,5 milhão de tonelada
por ano.
O analista da corretora SLW Pedro Galdi
lembra, no entanto, que colocar novamente
em funcionamento um alto-forno bem maior
não significa que essa capacidade
será totalmente utilizada no
curto prazo. Muito pelo contrário.
"As siderúrgicas devem demorar
para voltar a trabalhar a plena capacidade,
o mercado para elas continua complicado,
com estoques ainda altos e demanda fraca",
diz. Com o cenário delicado,
o analista da SLW lembra que os resultados
das siderúrgicas nos próximos
trimestres devem ser ruins quando comparados
com outros períodos.
"Os resultados apenas do quarto
trimestre devem trazer uma melhora ante
o mesmo período de 2008, no entanto,
isso não refresca, já
que os últimos três meses
do ano passado foram os piores da crise",
lembra Galdi.
Agora, se o cenário no curto
prazo para as siderúrgicas é
ainda tão debilitado, por que
essas ações já
subiram tanto neste ano? As ON da CSN,
por exemplo, acumulam alta de 57,51%,
as ON e as PNA da Usiminas se valorizam
47,48% e 46,77%, respectivamente. Segundo
Galdi, assim como o mercado antecipa
os fatos, essas valorizações
refletem as perspectivas de retomada
da economia a partir de 2010, consequentemente,
de aumento da demanda por aço
no mundo.
Uma outra explicação é
a volta ao mercado dos investidores
estrangeiros nos últimos meses.
Não é novidade que eles
preferem os papéis de maior liquidez,
exatamente no grupo em que se encontram
as siderúrgicas. Essa última
explicação requer um certo
cuidado. "Muitos desses investidores
internacionais entram no movimento de
manada e começam a comprar qualquer
coisa que tenha liquidez, sem olhar
os fundamentos", diz o sócio
de uma gestora. Ele acredita que as
ações de menor liquidez
("small caps") têm melhores
fundamentos neste momento.
Fôlego novo A renegociação
de indicadores financeiros (conhecidos
como "covenants") da Gerdau
com 40 bancos foi bem recebida pelos
analistas. Em relatório, a Ativa
Corretora afirma que essa renegociação
dará um alívio financeiro
para a empresa. "O comportamento
da ação, principalmente
em maio, me faz pensar que muita gente
esqueceu deste problema (os 'covenants')
e esta notícia (a renegociação)
irá lembrálos disso",
diz a Link Investimentos em relatório.
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Daniele Camba
24/06/2009
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