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A inserção internacional das empresas brasileiras aumenta cada vez mais. Segundo
dados do Banco Central, o investimento direto brasileiro no exterior mais do que
duplicou entre 2001 e 2006, passando de US$ 49,7 bilhões para US$ 114,2 bilhões.
Só de 2005 para 2006, o aumento foi de 44,05%. Além disso, pesquisa feita entre julho
e agosto deste ano pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e
da Globalização Econômica (Sobeet) indica que o índice médio de internacionalização
entre as 50 maiores multinacionais brasileiras passou de 12%, em 2006, para 15% em
2007. O índice mede o porcentual de receitas, ativos e empregos no exterior em relação
aos dados totais da empresa. A pesquisa também revelou que 92% das companhias
consultadas pretendem manter ou aumentar esse investimentos até 2009.
"A internacionalização hoje não é mais opção, mas quase um destino para as
empresas", diz Evaldo Alves, professor de economia internacional da Fundação
Getúlio Vargas (FGV-SP). "Já no seu processo produtivo elas passam pela ligação com
o exterior, na medida em que precisam de peças e insumos para sua produção. Instalarse
no exterior é uma conseqüência disso." Esse processo, nota Alves, começa com
exportações e, à medida em que as empresas sentem necessidade de se aproximar mais
dos clientes ou vencer barreiras ou dificuldades logísticas para colocação de seus
produtos em determinados mercados, decidem operar diretamente, primeiro a partir da
instalação de uma estrutura de vendas e de atendimento pós-venda e, depois, por meio
da produção direta em outros países.
Para o país, a inserção global de suas empresas traz inúmeros benefícios. A inovação
em tecnologia é um deles, segundo Luís Afonso Lima, presidente da Sobeet. "As
empresas que se internacionalizam são difusoras e absorvedoras de tecnologia. Elas
ganham know how em suas atividades, o que é importante para o país, de forma a que
possa dar um salto tecnológico para competir em pé de igualdade com outros países",
afirma.
Outra vantagem para o país é a remessa dos lucros gerados no exterior. "Embora
estejam investindo lá fora, essas companhias ainda têm funções principais sediadas no
país", diz Álvaro Cyrino, professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral. "À medida
em que se tornam mais lucrativas, elas remuneram melhor seus acionistas e a riqueza
volta para o país."
Entre os motivos que detonam o processo de internacionalização de uma empresa
figura a limitação interna de demanda, ou seja, quando ela já atinge determinada
participação no mercado interno e não vislumbra sua ampliação. É o caso das
indústrias de cimento, como a Votorantim, que possui fábricas nos Estados Unidos e
Canadá e hoje detém 30% do mercado da região dos Grandes Lagos, situada nos dois
países.
Vencer uma dificuldade interna pode ser outro detonador, como ocorreu com o grupo
Marfrig, que lidera o processo de internacionalização entre as empresas do agronegócio
brasileiro. O surto de febre aftosa de 2005, que fechou as fronteiras do Brasil para a
exportação de carne in natura, foi um dos motivos decisivos para transformar o Marfrig
em uma empresa global. Naquela época, a empresa já exportava para 40 países. O
presidente da companhia, Marcos Molina, percebeu que era crucial para a
sobrevivência do negócio proteger a empresa de imprevistos sanitários como aquele, se
quisesse crescer no mercado externo.
Foi assim que, em 2006, a Marfrig comprou o primeiro frigorífico fora do Brasil, o
Tacuarembó, o terceiro maior exportador do Uruguai. Depois disso, estendeu suas
operações para a Argentina, Chile, Estados Unidos e Europa. A maior aquisição do
grupo foi em junho deste ano, quando fechou a compra de 15 plantas da holding
americana OSI por US$ 680 milhões. Com essa operação, o Marfrig triplica seu
faturamento anual para quase R$ 10 bilhões e passa a operar 60 plantas em nove
países. Na Europa, o Marfrig comprou o grupo Moy Park e seu conjunto de plantas na
Irlanda do Norte, Inglaterra, França e Holanda.
Outra razão importante é poder driblar barreiras tarifárias e outras restrições impostas
por países como os Estados Unidos. Exemplo importante é o da Gerdau, no setor de
aço, que hoje possui fábricas nos Estados Unidos, Canadá, Espanha, Chile, Argentina,
Uruguai, Colômbia, Peru, México, República Dominicana, Venezuela e Índia.
Desde que começou seu processo de internacionalização, em 1980, com a compra da
siderúrgica Laisa, no Uruguai, a Gerdau vem se expandindo de forma cada vez mais
acelerada no exterior, por meio de aquisições. Só neste ano já realizou quatro
operações, incluindo a aquisição, nos Estados Unidos, da Century Steel por meio da
joint venture Pacific Coast Steel (PCS). Com sede em Las Vegas, a empresa atua nos
segmentos de corte e dobra e aço estrutural nos estados de Nevada, Califórnia, Utah e
Novo México. Em paralelo, a Gerdau aumentou sua participação na PCS para 84%,
com investimento de US$ 68 milhões.
Gleise de Castro, para o Valor, de São Paulo
03/11/2008

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