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O lado positivo da crise para o Brasil |
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É
difícil encontrar alguém que consiga enxergar
um lado positivo para a crise financeira atual. Pois bem,
por incrível que pareça, para alguma coisa irá
servir todo esse burburinho internacional, pelo menos para
o mercado acionário brasileiro. O que se espera é
que, gradativamente, o Índice Bovespa fique menos concentrado
nas ações de commodities. Com a desaceleração
da economia em termos globais, os investidores devem perder
um pouco do enorme interesse que têm demonstrado pelos
papéis dos segmentos de petróleo, mineração
e siderurgia. Em troca, provavelmente, passarão a investir
muito mais em ações de empresas voltadas ao
mercado interno, mas que não têm uma correlação
tão forte com o Produto Interno Bruto (PIB), como é
o caso das companhias de telefonia e de energia elétrica.
"Se essa crise conseguir fazer com que os índices
sejam mais balanceados, no fundo, bem no fundo, ela já
terá tido alguma utilidade", diz o economista-chefe
da Way Investimentos e diretor do curso de relações
internacionais da ESPM-RJ, Alexandre Espírito Santo.
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Ele
lembra que entre os diversos contratempos, o fato de um índice
tão importante quanto o Ibovespa ser muito concentrado
acaba deixando os investidores à mercê dos acontecimentos
em dois ou três setores. No caso da Bovespa a situação
é ainda pior. Boa parte dos investimentos se concentra
em apenas duas empresas: |
Petrobras
e Vale. Na carteira teórica atual do Ibovespa que valerá
até dezembro, as ações preferenciais
(PN, sem voto) e as ordinárias (ON, com voto) da Petrobras
têm peso de 18,21%, enquanto as PN série A e
as ON da Vale representam 15,91%. Já o preço
do barril do petróleo atingiu a máxima de US$
145,29 também este ano. Até uns dois meses atrás,
os analistas ainda estavam divididos sobre o destino das commodities.
No entanto, depois do recente agravamento da crise internacional,
não restam dúvidas de que a festa desses ativos
está próxima do fim. E é com base nessa
expectativa que Espírito Santo acredita que o reinado
das ações de commodities está com os
dias contados, pelo menos na magnitude que já foi.
Apesar de ser difícil dizer com exatidão como
serão as mudanças no Ibovespa, o professor e
economista estima que a participação da Vale
e da Petrobras podem cair dos atuais 34% para algo como 28%
no fim de 2009.
Esses seis pontos percentuais, na visão dele, devem
migrar principalmente para os papéis de telefonia e
energia. "Esses setores não são tão
afetados pela desaceleração da economia global
e ainda têm baixa correlação com o PIB
brasileiro, que será afetado pela crise externa",
diz Espírito Santo. Além disso, algumas das
empresas desses segmentos são tradicionalmente boas
pagadoras de dividendos, o que as tornam ainda mais atraentes
nesse momento em que os retornos por meio da valorização
das ações na bolsa parecem cada vez mais incertos.
Não é à toa que os papéis das
elétricas estão entre as que menos sofreram
no chacoalhão que a Bovespa vem passando. "Com
a alta das commodities nos últimos anos, as teles e
as elétricas foram colocadas em segundo plano e agora
esse cenário deve mudar", completa o professor.
A partir de hoje, devido ao horário de verão,
o pregão da Bovespa passa a funcionar das 11h às
18h. |
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Daniele
Camba
20 /10/2008

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