| O
diretor de finanças da Vale,
Fábio Barbosa, não quis
se pronunciar ontem sobre as negociações
do preço do minério com
a China. Mas destacou que a participação
da mineradora no mercado chinês
chegou a 26,3% no primeiro trimestre,
quando a Vale vendeu 34 milhões
de toneladas de minério para
as usinas chinesas. O embarque total
no período foi de 50 milhões
de toneladas. Ou seja, 70% das vendas
foram para a China.
O executivo, ao ser questionado sobre
qual será a estratégia
caso a China migre de vez para o mercado
à vista, disse que a "Vale
está lidando com a realidade
de um mercado mais dinâmico na
Ásia e região e estamos
adaptando a nossa estratégia
a esta situação".
Barbosa afirmou que não trabalha
com a perspectiva de venda de um volume
muito maior de minério no mercado
spot. "Nós não trabalhamos
com perspectiva nenhuma. Estamos lidando
no dia a dia com o que está acontecendo".
Ele mencionou as negociação
de preço já feitas para
algumas áreas (Japão e
Europa, que fecharam com o sistema de
benchmark) e disse que "a dinâmica
futura do mercado será definida
a medida que se tiver clareza de como
os mercado vão reagir aos sistemas
de precificação que estão
em vigor".
Questionado se a empresa está
vendendo minério no mercado à
vista, respondeu que "a Vale está
vendendo de acordo com a política
comercial que anunciamos, de considerar
diversas oportunidades alternativas
de comercialização".
A companhia admitiu, no início
do segundo trimestre, que estava dando
desconto de 20% no preço
do minério contratado.
Durante sua palestra para executivos
financeiros, Barbosa ressaltou o vigor
do mercado chinês informando que
o país já está
adquirindo 56 milhões de toneladas
de minério mensais, como aconteceu
em maio, apesar da crise. No cenário
desenhado por Barbosa, a situação
hoje está bem melhor que no quarto
trimestre de 2008 e no primeiro trimestre
deste ano. Ela disse que na visão
da Vale a recuperação
da economia mundial será lenta
dada a maciça destruição
de riqueza ocorrida nos últimos
meses.
Nesse cenário, disse que a política
da Vale continua sendo de primarização
da mãode- obra, cortar custos,
ter flexibilidade operacional e comercial
e focar na logística e no minério
de ferro, além de fechar minas
ineficientes. E anunciou que a mineradora
vai priorizar a venda da produção
de Carajás por ter menor custo
e teor de minério de 67%. Da
fatia vendida no primeiro trimestre,
43% foi de Carajás. E anunciou
que mais de 80% de acréscimo
da produção de minério
da Vale virá de Carajás.
(VSD)
Do Rio
25/06/2009
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